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Esse é o meu primeiro post sobre minhas experiências com peregrinações — e nada mais justo do que começar contando como tudo começou: com a minha primeira caminhada. Não sei exatamente de onde veio essa vontade de caminhar longas distâncias. Mas, em algum momento, no meio da pandemia, surgiu na minha cabeça uma ideia que…

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De Campinas a Itaici e meus primeiros passos na Peregrinação

Esse é o meu primeiro post sobre minhas experiências com peregrinações — e nada mais justo do que começar contando como tudo começou: com a minha primeira caminhada.

Não sei exatamente de onde veio essa vontade de caminhar longas distâncias. Mas, em algum momento, no meio da pandemia, surgiu na minha cabeça uma ideia que não saiu mais: um dia, quero fazer o Caminho de Santiago de Compostela. Já tinha ouvido falar, mas não conhecia nada a fundo. Talvez tenha sido um chamado… E, a partir dali, comecei a buscar informações, estudar o assunto e entender melhor como funcionava. Descobri que não era tão simples quanto apenas sair andando — mas também não era impossível. Então comecei a buscar formas de me preparar e a treinar aos poucos — afinal, um dia eu estarei no Caminho de Santiago!

Foi assim que começou minha jornada nas peregrinações.

Depois da pandemia, quando as coisas começaram a retomar, encontrei uma caminhada organizada pelo Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba. A peregrinação era de um dia, com cerca de 36 km, saindo de Campinas e chegando ao próprio mosteiro.

Sem pensar muito, me inscrevi. E realmente não pensei. Não sou atlética, não tenho um grande condicionamento físico. Não parei para refletir se seria demais para mim, se eu daria conta, se passaria mal… Nada disso. Se eu tivesse parado para pensar demais, provavelmente teria me convencido de que não estava pronta. Mas eu queria muito viver aquilo, e por isso fui. Que bom que fui!

Caminhar 36 km parecia algo inimaginável pra mim. E, de fato, não foi fácil. Mas ao longo do caminho, percebi que a jornada é muito mais do que física — é também (e talvez principalmente) interna. Cada um vive seu próprio processo. No início, eu sentia uma mistura de ansiedade e empolgação. Depois vinham dúvidas: será que eu vou conseguir? Em outros trechos, só conseguia contemplar a paisagem e me encantar com o caminho. Em muitos momentos, ouvia conversas de outras pessoas que pareciam se encaixar perfeitamente com o que eu precisava ouvir.

Foi uma experiência intensa, que se assemelha à vida: há trechos mais bonitos, outros nem tanto; partes planas e outras cheias de obstáculos; momentos de leveza, e também de peso. Às vezes estamos acompanhados, outras vezes seguimos sozinhos. Como no cotidiano.

Cheguei ao final. Cansada, sim. Mas feliz. Muito feliz. O medo não me impediu de viver aquela experiência. É claro que precisamos ter responsabilidade e entender nossos limites, mas às vezes o que nos paralisa é só o medo — e ele não precisa ser o guia.

A organização da peregrinação pelo Mosteiro de Itaici é muito bem feita. Mais de 100 pessoas participam, acompanhadas por monitores, com carro de apoio disponível o tempo todo. Ao longo do percurso, há cerca de cinco paradas para descanso, alimentação e hidratação — todas organizadas por voluntários da região, com muito carinho. Tem até uma parada maior para o almoço. Me senti acolhida do começo ao fim.

Algumas dicas práticas (de uma iniciante!):

  • Mochila leve é vida: Eu tinha medo de sentir dor nas costas, então levei o mínimo necessário. Foi a melhor escolha! O cansaço bate, e cada grama extra faz diferença.
  • Água na medida certa: Levei duas garrafas, com medo de ficar sem. Mas, nessa peregrinação, havia pontos para reabastecer, então foi peso a mais. Avalie sempre as condições do trajeto (não quero dizer para levar pouca água nas suas caminhadas, hein, mas para avaliar suas necessidades e como é o caminho).
  • Equipamentos ajudam, mas não são obrigatórios: Fiz essa caminhada sem tênis próprio e sem bastão. Deu certo. Claro, percebi o quanto esses itens ajudam — mas o mais importante é começar. O resto vem com o tempo e cada um tem uma necessidade.

Se você quer dar os primeiros passos nesse mundo das peregrinações, a caminhada do Mosteiro de Itaici é uma ótima porta de entrada. É segura, acolhedora e muito bem organizada.

Em 2024, infelizmente não aconteceu, mas ela já existe há muitos anos e tem um lugar especial no meu coração. Afinal, foi a primeira! Torço para que em 2025 ela retorne. Se acontecer, eu tentarei estarei lá!

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