Estou sempre buscando oportunidades de fazer caminhadas longas, e ano passado encontrei o Ramal da Medalha Milagrosa, um dos muitos trajetos que fazem parte do Caminho da Fé, saindo da cidade mineira de Monte Sião e chegando a Ouro Fino.
Antes de contar como foi, vale um contexto rápido: o Caminho da Fé é uma rota de peregrinação inspirada no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Ele conecta diversas cidades de Minas Gerais e São Paulo por estradas rurais e trilhas, reunindo pessoas que buscam desafio físico, espiritualidade, contato com a natureza e autoconhecimento. Dentro dessa grande rota existem vários ramais — e o da Medalha Milagrosa é um deles.
Esse ramal, além de ser uma jornada física e espiritual, tem um diferencial que o torna ainda mais especial — e desafiador, na minha opinião. São quase 40 km de peregrinação… durante a madrugada.
Isso mesmo, a caminhada começa por volta das 20h, logo após a missa no Santuário da Medalha Milagrosa, e seguimos noite adentro rumo ao nosso destino. Foi a primeira vez que fiz uma caminhada noturna, e posso dizer que foi uma experiência marcante.
Eu não consegui finalizar o percurso inteiro — faltaram cerca de 6 km para chegar. Senti que estava no meu limite e preferi seguir até o destino final com o ônibus de apoio da organização. Claro, eu queria ter completado tudo, mas reconhecer nossos limites faz parte. Isso não tirou o brilho do momento que vivi. No fim, o que importa não é a chegada, mas tudo o que acontece no caminho.
E para mim é aí que mora a magia: as pessoas que seguem conosco ou passam por nós, os momentos de conversa interna, o silêncio da madrugada, a natureza ao redor, os medos que aparecem e a sensação de superá-los. Cada caminhada sempre é diferente e especial.
Foi uma ótima experiência, e valeu muito por ter vivido algo tão novo. Ainda assim, eu prefiro caminhar durante o dia — à noite a gente enxerga menos, presta mais atenção no chão e perde um pouco da paisagem. Mas mesmo assim foi especial e emocionante.
A organização da peregrinação é muito boa. Durante todo o percurso teve apoio e haviam pontos de parada com alimentação e banheiros. Para quem quer viver esse momento, recomendo muito buscar mais informações aqui no site oficial e, quem sabe, participar na próxima edição.
Sigo por aqui, sempre em busca dos caminhos por onde a vida vai me levar.
PS: Foi realmente um desafio para mim, e a foto de capa é o único registro que tenho dessa peregrinação.